Papel humano é questionado na construção da pirâmide mais antiga do mundo

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Recentemente, o mundo da arqueologia foi agitado pela notícia da possível pirâmide mais antiga do mundo, que, no alto de seus 25.000 anos de idade, ganharia de longe dos monumentos egípcios. O problema é que muitos cientistas estão revisando a pesquisa sobre a construção indonésia, chamada Gunung Padang (“Montanha da Iluminação”), e questionando tanto o papel humano em sua construção quanto as datações e conclusões sobre sua elaboração.

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No estudo, é dito que, ao invés de surgir naturalmente, a pirâmide teria sido erigida em partes entre 25.000 anos 14.000 anos atrás, antes mesmo da agricultura ter sido inventada na região. Os pesquisadores ainda afirmam que o sítio ainda teria câmaras ou cavidades escondidas e que a obra possivelmente teria sido enterrada diversas vezes para esconder sua identidade, em um esforço de preservação.

Quem construiu a pirâmide indonésia?

As críticas em torno das afirmações se baseiam, basicamente, no conceito de que alegações extraordinárias precisam de evidências extraordinárias, que, neste caso, não existiriam. Especialistas como o arqueólogo Lutfi Yondri lembram que os indonésios viviam em cavernas entre 12.000 anos e 6.000 atrás, não deixando sinais de notáveis habilidades com o manejo de pedra, necessários para um trabalho dessa magnitude.


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A maioria das afirmações dos cientistas sobre as pirâmides da Indonésia ainda não foram comprovadas, o que deixa o monumento ainda longe de ser o mais antigo do mundo (Imagem: RaiyaniM/CC-BY-SA-4.0)

Já Flint Dibble, outro arqueólogo, aponta que o artigo realmente usa dados legítimos, mas faz conclusões injustificadas sobre eles. A datação por radiocarbono, por exemplo, foi realizada em resquícios orgânicos ao redor das estruturas escavadas, apontando uma idade de milhares de anos a.C., no início do Paleolítico.

As amostras mais antigas teriam até 27.000 anos, mas o solo com essa idade não mostra sinais de atividade humana, como fragmentos de ossos ou carvão, o que torna a datação do solo apenas isso — uma indicação de que a terra local é muito antiga, mas pode não ter sido visitada por nossos ancestrais em tempos tão remotos.

Até mesmo um fragmento de rocha em formato de adaga encontrado pelos cientistas tem sido questionado, já que, apesar da forma, não traz indicativos inquestionáveis de que teria sido esculpido por humanos, o que põe em jogo sua veracidade como evidência.

No momento, o periódico científico que publicou o artigo em questão está investigando o trabalho, e, até lá, ficamos com a explicação mais simples — a de uma formação natural. Nas palavras de Dibble, “materiais rolando colina abaixo irão, de maneira geral, orientar a si mesmos”, ou seja, se empilhar em forma de pirâmide. Até segunda ordem, a pirâmide mais antiga conhecida continua sendo a de Djoser, no Egito, com 4.700 anos de idade.

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