Aids: casos de HIV aumentam 17% no país

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O Dia Mundial do Combate à Aids, que acontece nesta sexta-feira (1), é válido lembrar que, apesar das inúmeras conquistas nos últimos 40 anos, a doença ainda precisa ser enfrentada. Nos últimos três anos, os casos de HIV aumentaram 17,2% no Brasil, com maior incidência entre os mais jovens de 20 a 29 anos.

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Em 2022, o país registrou 43.403 novos casos de HIV, sendo 73,6% em homens e 26,3% em mulheres, segundo o último Boletim Epidemiológico, elaborado pelo Ministério da Saúde. Até o momento, os dados parciais apontam para a notificação de 20,2 mil novos casos da infecção sexualmente transmissível este ano no país.

“O grande desafio é combater o estigma e a discriminação, fazendo com que essas pessoas tenham portas abertas, não só nos serviços de saúde, mas dentro das organizações da sociedade civil, para que possam também ajudar a resgatar essas pessoas para o tratamento, assim como para fazer o diagnóstico”, afirma Draurio Barreira, diretor do departamento de HIV/Aids, Tuberculose, Hepatites Virais e Infecções Sexualmente Transmissíveis.


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Avanço no tratamento

A boa notícia neste cenário brasileiro é que o acesso ao tratamento do HIV tem avançado em todo o país, o que pode impedir que os casos da infecção evoluam para a Aids. No momento, a Saúde estima que 1 milhão de pessoas convivam com a doença, sendo que 90% (900 mil) já foram diagnosticados.

Tratamento contra o HIV avança no Brasil (Imagem: James Coleman/Unsplash)

Entre os que têm o diagnóstico para a infecção, 81% (731 mil) realizam o tratamento antirretroviral, quase sempre no Sistema Único de Saúde (SUS), de forma gratuita. Nesse recorte de quem trata, 95% (695 mil) têm a carga viral indetectável e, por isso, não transmitem mais o vírus.

Hoje, a maioria das pessoas tratam o HIV, no SUS, com o uso de dois antirretrovirais, a Lamivudina e o Dolutegravir. A expectativa é que, para o ano que vem, chegue um novo comprimido que mescle os dois, o Dovato, facilitando ainda mais a adesão.

PrEP e PEP

Para impedir novos casos da doença, além dos tradicionais preservativos, há ainda outras opções no sistema de saúde, como a Profilaxia Pré-Exposição (PrEP), em que a pessoa sem o HIV, com comportamentos de risco, toma medicamentos de forma preventiva.

Além disso, existe a Profilaxia Pós-Exposição (PEP), recomendada em casos pontuais, onde a pessoa toma uma medicação que impede a infecção. É preciso iniciar o tratamento nas primeiras 72 horas após a exposição de risco, como um episódio em que a camisinha rompeu durante a relação sexual.

HIV no Brasil

Por aqui, os casos de HIV são identificados majoritariamente em homens. Segundo o Boletim, são 650 mil pacientes do sexo masculino que convivem com a infecção, enquanto o número de mulheres é de 350 mil.

Desde 2020, em média, são 28 novos homens infectados para cada 10 mulheres. Apesar do menor número de casos, as mulheres geralmente sabem menos se estão com HIV, 86% contra 92% dos homens. Consequentemente, a porcentagem de mulheres em tratamento é menor.

“De modo geral, as mulheres têm desfechos piores, desde a detecção até a supressão da carga viral”, comenta Barreira. Entre as possíveis explicações, está o fato da doença ser muito estigmatizada a grupos específicos, o que nem sempre é verdadeiro.

Novos casos de Aids

Além dos casos de HIV, o número de diagnósticos de Aids também subiu no último ano, totalizando 36,7 mil novos casos. Em 2021, foram 35,4 mil. Até este momento de 2023, são confirmados 16,2 mil.

Brasil deve avançar nas formas de controle do HIV e da Aids (Imagem: National Cancer Institute/Unsplash)

Observando esses dados de 2022, é visto com alerta o aumento da taxa de detecção de Aids em jovens de 20 a 24 anos e de 25 a 29 anos, que foi de 10,1% e 18,3%, respectivamente, em relação ao ano anterior. Isso porque, em tese, esta é uma faixa etária considerada mais bem informada.

Os dados de 2022 também apontam para algumas tendências nos casos de Aids: apenas 27,1% têm ensino fundamental completo, 60,1% são pretos ou pardos e 42,3% são homens que fazem sexo com homens.

Por outro lado, o número de mortes que têm o HIV como causa básica caiu, indo de 11,5 mil em 2011 para 10,9 mil em 2022. Independente da queda, os números ainda são altos, já que, em média, são registradas 30 mortes por dia em decorrência de uma doença que tem tratamento.

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