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Biden afrouxa restrições a Cuba enquanto regime reprime população com novo Código Penal


Presidente reverteu medidas de Trump com pacote de alívio aos cubanos, mas recebeu críticas de ambos os partidos no Congresso e de boa parte da comunidade de exilados Carro passa pela sede da Embaixada dos Estados Unidos em Havana, em foto de maio de 2020. Reuters Duas medidas antagônicas caíram praticamente ao mesmo tempo no colo dos cubanos. De um lado, a aprovação do Código Penal, pelo Parlamento, que criminaliza a subversão e o direito de exercer o ativismo político contrário ao regime. De outro, o relaxamento de sanções e restrições a viagens, ao envio de remessas, impostas pelos Estados Unidos durante o governo do ex-presidente Donald Trump. Ambas as decisões não surpreendem. Se o regime cubano apertou as rédeas para sufocar a dissidência e evitar novas ondas de protestos, como a que ocorreu em julho passado, o governo do atual líder dos EUA, Joe Biden, afrouxou o nó, conforme prometeu durante a campanha de 2020. Seu governo decidiu expandir os voos dos EUA para outras cidades da ilha, elevar o limite de US$ 1.000 por trimestre para remessas e reativar o processo de reunificação familiar, liberando 20 mil vistos por ano aos cubanos. O atual presidente americano reverteu medidas de Trump, mas não chegou perto da aproximação com Cuba promovida por Barack Obama, em 2016. Desde então, os ocupantes do Salão Oval da Casa Branca se habituaram a desfazer os atos promovidos pelo antecessor em relação a Cuba. Ariel Palacios analisa os objetivos de Biden com revisão de restrições a Cuba Biden chegou a implementar mais sanções ao regime após a repressão aos manifestantes dos protestos que varreram a ilha. Mas, agora, alegou pretender apoiar as aspirações da população por liberdade e novas oportunidades econômicas. Desde outubro passado 79 mil cubanos ingressaram em território americano via México, e o governo prevê que o número chegue a 150 mil até setembro. “O pacote de medidas do governo Biden chega em um momento muito oportuno, quando o povo da ilha é submetido a dificuldades econômicas sem precedentes e o governo aumenta os mecanismos repressivos”, analisou a jornalista Miriam Leiva, uma das fundadoras da ONG Damas de Branco, em artigo no portal “CubaNet”. Manifestante é contido durante protestos que tomaram as ruas de Havana em julho de 2021 Ramon Espinosa/ Associated Press Cerca de 700 manifestantes que participaram dos protestos de julho estão presos, entre eles 13 menores de idade, segundo a ONG Cubalex. As medidas de Biden foram encaradas com cautela e desconfiança e dividiram principalmente a comunidade exilada na Flórida. Parte dela, sobretudo a geração mais antiga, considera que o presidente, chamado de traidor, compactua com o regime. “Após o último oxigênio dado à Junta Militar cubana pelo governo Biden, só podemos esperar muito mais repressão”, tuitou o dissidente Guillermo Fariñas, preso numerosas vezes pelo regime e agraciado em 2010 com o Prêmio Sakharov. Leia também: EUA negam vistos a cubanos governistas para Cúpula dos Povos Cuba e EUA realizam primeira reunião de alto nível desde que Biden assumiu o governo No Congresso dos EUA, a reação de legisladores ligados à comunidade cubano-americana também foi contrária ao presidente, independentemente do partido. O senador democrata Bob Menéndez, presidente da Comissão de Relações Exteriores do Senado, atacou a política de Biden: “Aqueles que ainda acreditam que o aumento das viagens gerará democracia em Cuba estão simplesmente em estado de negação. Durante anos, os EUA aliviaram as restrições de viagem, argumentando que milhões de dólares americanos trariam liberdade aos cubanos, e nada mudou.” Nas eleições de 2020, Biden e Trump lutaram avidamente pelos votos hispânicos da Flórida. O ex-presidente levou a melhor no estado. A tentativa de Biden de afrouxar as restrições a Cuba deve ter implicações políticas nas eleições legislativas de novembro e dificultar ainda mais as chances dos democratas.

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